2001

Exo

© balleteatro

A poesia de Nava em particular A Carne acompanhou as minhas reflexões nos ensaios de exo. Em exo a ideia de um corpo do avesso ligava-se com o desfigurar, esfolar (ideia figurada pelos figurinos), ou ainda noutro sentido menos imediato, com um campo hipersensível (a luz era uma projeção indefinida pulsante, o movimento também tinha por vezes esta qualidade), um fluxo (contínuo-interrompido), dísparos, projeções. Uma indicação de sentido: para fora. Assim, a peça foi construída como um anti-climax, do grupo ao solo, mas como se toda a parte de conjunto tivesse um aparato caótico, intenso, cuja finalidade seria chegar à forma singular (…). Ao longo do trabalho (…) a condição plástica que se vai gerando instala o ambiente: desamparo, descarnado, deserotizado. Noto que anti-climax ou o termo deserotizado parecem contrários à poesia de Nava. Mas para mim é como se a intensidade erótica do poema estivesse no movimento das palavras (a escolha e no modo como se organizam), não na “figura” que produzem, uma figura inquietante.

(excertos de uma entrevista para José Pedro)

Ficha Técnica

Direcção e coreografia: Né Barros
Música original: Alexandre Soares
Figurinos: Vera Castro Vídeo
Desenho de luz:Carlos Assis
Bailarinos: Ângela Clemente, Bernardo Gama, Laura Marìn, Pascale Mosslems, Rui Pinto, Vincent Colomos
Produção: Ballet Gulbenkian
Estreia: Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian
Circulações: Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian (2001)