1999
Vooum
Ir. Trajectos (no feminino). Partir. Voo um. Chegar (no masculino). Ir de novo. Transportar: levar consigo. Alucinante. Ponto de encontro/desencontro. Obstáculos/Imprevistos. Voo 2… voos… Voo 3. Transformação. Onda… do retorno.
Episódios que se sucedem ou se entrecruzam num trabalho que teve como tema de fundo a viagem. A coreografia, a música, os dispositivos cénicos agem no sentido de nos indicar a viagem, porventura envolver-nos nela, mas não de nos falar de uma viagem. Em palco são criadas situações que encontram inspiração na paisagem em mudança que é o humano em deslocação. Uma paisagem recriada entre desvios, desarticulações, trajectórias organizadas ou errâncias. Em aceleração e desacelaração, em caminhadas e paragens. Na uniformização ou na diversificação. Mas subjacente todo este lado digamos, mais formalizável está o lado inquietante das projecções, desejos ou nostalgias que nos fazem viajar. Por isso, o voo, na sua larga acepção, surge como o passo possível de chegar a um outro lado. Não necessariamente, o passo de uma dança com asas, mas de uma dança realizada por pré-figuras, sem psicologias definidas e que vão cumprindo as suas faculdades, são inconsequentes, são o que eu lhes chamo de movimentantes. Reflectem um lado da condição humana e repetem-se em todos os meus trabalhos. São ficções.
“Partir. Sortir. Se laisser un jour séduire. Devenir plusieurs, braver l’extérieur, bifurquer ailleurs” (Michel Serres).
Né Barros
Ficha Técnica
Direcção e coreografia: Né Barros
Música original: Alexandre Soares
Cenografia:Daniel Blaufuks (com a colaboração de Alexandra Cruz)
Desenho de luz: Carlos Assis
Figurinos: Maria João Sopa
Intérpretes: Alberto Magno, Andreia Mesquita, Carlos Silva, Edgard Fernandes, Elisabete Magalhães, Paco Nevado, Joclécio Azevedo, São Castro, Sara Castanheira, Sónia Cunha
Produção: balleteatro
Estreia:Rivoli Teatro Municipal
Circulações: Teatro Municipal do Porto – Rivoli (1999), Teatro Nacional de São João (2000)
Imprensa
“(…) focusing [Vooum] almost exclusively in a work around the expressive potencial, but not theatrical, of the body, the choreographer finds a different movement poetic, em que falls to the textures from the coreographic phrasinging to guide the dramaturgy of the piece, where the significations expands themeselfs creating new readings.”
Maria José Fazenda (dance critic)
Vooum is a beautiful series of explorations along the theme of geography: the geography of travel and the geography of the human heart. It utilizes one of the most thoroughly satisfying juxtapositions of film and live mouvement I’ve ever seen.
The film footage (images of maps, airplanes, a variety of locales – some exotic, some familiar) firmly establishes the theme of travel.
The movement poignantly embodies the impossibility of ever arriving at one’s final “destination”. The individual dancer’s movement vocabulary is lush and released, but is often contrasted with a cooler sense of geometric precision in the form of diagonal group formations. One of the most impressive aspets of this piece is that the projected images and the live images never seem to compete with one another. The peacefully co-habit the stage, resonating off each other in endlessly fascination ways.
Roger Copeland