1997

In Limine

© Jorge Gonçalves

A partir da obra Messe de Liverpool, de Pierre Henry, o trabalho foi sendo construído colhendo alguns elementos estruturais e apropriando-se de um “sentido vocal” que a própria obra oferece. O trabalho apresenta-se como um continuum coreográfico sem uma morfologia demarcada ao contrário da obra musical que subscreve as cinco partes características da liturgia tradicional. A última parte a que Pierre Henry chamou Communion, apresenta-se na coreografia como uma representação de sentido: as faces e as faces dos corpos; o tempo simbólico e o tempo do “corpo humorado”. Subjacente à composição – as frases, os módulos, os segmentos, quase todos consequentes ao nível diacrónico-, está a ideia de um organon que se funcionaliza e se disfuncionaliza. Talvez por aqui paire o humor (no sentido lato) e a forma dos corpos numa individualidade descompensada.

Né Barros

Ficha Técnica

Direcção e coreografia: Né Barros
Música: Pierre Henry Messe de Liverpool
Figurinos, instalação cénica e vídeo:Gabriela Vaz
Desenho de luz e montagem vídeo: Jorge Costa
Intérpretes: Alberto Magno, Elisabete Magalhães, Índio Queiróz, Joana Cunha, Joana Figueiredo, Sónia Cunha, Vera Santos
Produção: balleteatro Estreia Centro Cultural de Belém
Circulações: Centro Cultural de Belém (1997)