2012
Foreigners
In several works that I have been making, notions like lanscape, frontier, mobile, different perspectives have been explored, having always as a guideline a body being built, the body as an image and the image as movement. To these expatriated, dislocated dancing bodies I called soloists, or, in a neologism, movementers. This time, they are foreigners.
Foreigners is a new project that aims to enjoy the bodies and their images and to unveil them that which maked them, indeed, foreigners. Apparently filled with defined identity, foreigners, after all, are empty transversal beings. These figures are, in their definition, movements, whether of identification clichés, or behaviour genuine strangenesses. These beings wander between a collective, a pattern, and a lonelyness, the impersonal. Isolated, foreigners fulfill, internal or externally, two greta movements: arrival and departure. But what haunts us in the very notion of being foreigner in the whole world. Therefore, I could never forget Albert Camus’ The Foreigner as the absurd man, as the dive in the feeling of absurdity, just like Sartre wrote about this novel.
Né Barros
Credits
Direction e coreography: Né Barros
Músic: Alexandre Soares, Jorge Queijo
Performers: Bruno Senune, Flávio Rodrigues, Joana Castro, Pedro Rosa
Digital Art: João Martinho Moura
Light design: Alexandre Vieira
Costumes: Flávio Rodrigues e Né Barros
Executive Producer: Tiago Oliveira
Partnership: Engagelab, Universidade do Minho
Production: balleteatro
Co-production: Capital Europeia da Cultura de Guimarães 2012, TNSJ
Tours: Teatro Nacional de São João (2012)
Performance dossier
Press
Estranhezas do Absurdo
Né Barros na introdução do seu novo espetáculo de dança contemporânea, Estrangeiros (2012), estreado ontem à noite em Guimarães (CEC 2012), fala-nos da inspiração em O Estrangeiro (1942) um dos livros mais importantes de Camus, aonde ele espelha toda a essência da sua visão do mundo e da vida, definida pelos críticos como “a filosofia do absurdo”.O estrangeiro de Camus movimenta-se por entre o mundo de forma inconsequente, sem rumo nem sentido.
Transborda da prosa a sensação de total estranheza face ao quotidiano, ao circundante e ao chamado real. E é isso que vemos na nova obra de Né Barros, uma demonstração contínua do absurdo do movimento do corpo, da total estranheza que percorre os movimentos menos familiares, aqui fortemente explorados. Os atores desdobram-se, transmutam-se, encolhem-se, esticam-se, em poses invulgares que despertam os nossos sentidos, e nos perturbam, tudo isto a movimentos rítmicos ainda menos comuns, numa espécie de staccatos do movimento corporal.
[…] O espectáculo abre com seis pessoas em cima do palco, cinco guitarras e um baixo, tocando poderosamente num ritmo hard-rock, os intérpretes (Bruno Senune, Flávio Rodrigues, Joana Castro e Pedro Rosa) abandonam as guitarras, mas em palco permanecem ao longo de toda a performance dois músicos (Alexandre Soares e Jorge Queijo). […]
Por detrás dos músicos corre um panorama que tempos a tempos se ilumina e no qual se projectam traços e riscos interactivos sobre um fundo negro (João Martinho), que vão sofrendo distorções na relação com os performers, ora pela via do movimento ora pela via da voz e choro.
Ao longo do espétaculo as cordas vão transmutando-se evoluindo para níveis mais pesados a roçar o trash metal, e a fazer lembrar Metallica dos anos 80, passando depois por momentos de estranheza psicadélica a evocar a ficção científica dos anos 70, progredindo para momentos da mais pura ambiance electrónica, e elevando-se no final sob a melodiosa e fina sonoridade de uma guitarra portuguesa. Tudo isto acompanhado pela projecção visual de formas que seguem interactivamente o que se passa em cena, sempre tudo totalmente envolvido por um desenho de luzes perfeito (Alexandre Vieira). […] Toda esta formalidade técnico-artistica é servida com excelentes performances de dança do absurdo, fazendo deste espetáculo um momento poderoso, a nível sensorial, capaz de nos envolver e transportar numa jornada existencial.
Nelson Zagalo