2003
Wave
Wave, which is a continuity, as in a mental voyage, to two other previous productions, (…), completes a discourse ramified in several branches, in its double nature of work divided-united in a formal, first half made up of passages in-out of scene and intense micro dances that are born from variations about “families of gestures”, according to a trend that the American post modernism offered to the old Europe, and in a second half “expressive-performing” with the dancers with their face covered paying attention to a collective work of riddle improvising. The choreographer explains: “The reading of the show, to me, should be understood in the meaning of loss, of un-memorization, of the emptying, of the isolation also as a metaphor of the psychological nakedness and of the identity in its impersonal condition”.
Elisa Vaccarino
Credits
Direcção e coreografia: Né Barros
Música original: Alexandre Soares
Objectos de cena e vídeo:Elastic group of artistic research (Alessandro Ladaga e Silvia Manteiga)
Figurinos:Maria João Sopa
Desenho de luz: Carlos Assis
Intérpretes: Gisela Reis, Jorge Gonçalves, Maria Albornoz, Pedro Ramos, Sónia Cunha, Tânia Rodrigues
Estreia:Teatro Académico de Gil Vicente
Co-produção: Balleteatro, Teatro Nacional S. João e Coimbra Capital Nacional da Cultura 2003
Circulações: Teatro Académico Gil Vicente (2003), Teatro Nacional S. João (2003),Coimbra Capital Nacional da Cultura (2003), Estação de Metro da Trindade (2016), Estação de Metro de Matosinhos (2016), Metro Jardim do Morro (2016)
Press
“(…) Vaga desenvolve-se, por oposição, num campo a-histórico e a-dimensional, num bloco ou estádio equivalente ao universo estratificado dos jogos de vídeo, onde circulam máquinas celibatárias ou máquinas desejantes (se adoptarmos as terminologias duchampiana e deleuziana), que apontam para esboços mínimos de narrativas (imediatos e inconclusivos) por forma a ‘fazer ver como é invisível a invisibilidade do visível’ ou tornar a ‘visibilidade livre de toda a figura’.
Os corpos, em trânsito, multiplicam-se na semelhança e articulam-se em sobreposições como layers de uma imagem única, ensaiando estratégias de compensação de um equilíbrio contingente…(…)”
João Sousa Cardoso, in programa do Teatro Nacional S. João
“(…) o protagonista absoluto aqui é ainda e sempre o corpo, que declina, por variantes, em souplesse e com precisão, os códigos escolhidos por Né Barros e pelos seus intérpretes para esta criação ‘abstracta’ e no entanto ‘narrativa’. Em que sentido? O corpo narra com a ‘corporeidade’, inscrevendo-se em espaços e ambientes sonoros e luminosos, que dialogam com o gesto que nunca é descritivo, mas antes enigmático e estratificado de significados no desdobrar-se das sequências do espectáculo. Os corpos de Vaga, entre tacto e contacto nas dinâmicas de grupo, encontram-se a actuar numa localização indefinida, sem limites precisos, onde a ‘realidade’ entra, por gestos e citações, só através do vídeo e da manifestação gestual da alma dos bailarinos.(…)”
Elisa Guzzo Vaccarino (ensaísta de dança)