entrevista · 2022
Entrevista a Né Barros por Silvia Garzon, Atalaya
Né Barros, Silvia Garzon
Né Barros é coreógrafa e investigadora, ao longo da sua carreira tem desenvolvido em ligação os seus trabalhos artísticos com os científicos. É doutorada em Dança (FMH, UTL), Master of Arts in Dance Studies no Laban Centre (City University, Londres) e investigadora no Instituto de Filosofia no Grupo de Estética, Política e Conhecimento (UP), onde realizou um pós-doutoramento. Iniciou a sua formação em dança clássica e, mais tarde, trabalhou dança contemporânea e composição coreográfica nos Estados Unidos, no Smith College. Nos seus projetos tem colaborado com artistas de fotografia, música, artes plásticas e cinema. Além do Balleteatro, estrutura que dirige e fundou, trabalhou com a Companhia Nacional de Bailado, com o Ballet Gulbenkian e com a Aura Dance Company. Co-dirige o festival internacional de cinema dedicado ao arquivo, memória e etnografia, Family Film Project. Professora na Esap e convidada em diversas instituições. Co-diretora das coleções Estética, Política e Artes e Máquinas de Guerra, da Faculdade de Letras do Porto. Tem publicados diversos artigos no âmbito da teoria e estética das artes performativas.
balleteatro.pt
familyfilmproject.com
¿Cómo llegaste al mundo de la danza?
Como entrou no mundo da dança?
Comecei em criança a estudar ballet. Foi por ter assistido a uma aula da minha irmã, um pouco mais nova, que fiquei de imediato com vontade de frequentar a dança. Contudo, a escolha profissional colocou-se mais tarde no final da adolescência. Até fazer essa escolha como forma de vida, desisti por um momento, pensando seguir ciências, como acabei por fazer entrando na faculdade de ciências do porto. Mas a minha escolha para profissão, relacionou-se com o facto de ter percebido que não era o ballet que me interessava, mas a dança contemporânea.
¿Cuál fue tu motivación? ¿Sigue siendo la misma después de tantos años dedicándote de manera profesional?
Qual foi a sua motivação? Continua a mesma coisa depois de tantos anos a dedicar-se profissionalmente?
Diria que a minha motivação foi sendo revista ao longo dos anos. Num primeiro momento, talvez o desejo de experimentar um corpo expressivo que vai para além da voz e que também não se cinja ao virtuosismo. Mais tarde, foi claro que mais do que o confronto de estar em palco, da performance, era o gosto da construção, da arquitetura em movimento, do corpo dançante por inventar e da magia da composição que mais me atraiu na minha escolha profissional
¿Qué significa para ti la palabra “Maestro”? y ¿Enseñar?
O que significa a palavra “Mestre”? e Ensinar?
Hoje em dia a palavra “mestre” tem um valor relativo. Estamos sempre preparados para testar, experimentar, contactar e depois seguir outros caminhos. A “luz” que um mestre pode fornecer, será muito útil e muitas vezes é o gatilho certo e necessário para fazer despoletar novos caminhos para as pessoas. Mas já não funciona tanto como seguir uma “escola” ou um método. Ou seja, a transmissão é hoje, e bem, mais problematizada, mais que os conteúdos ou testemunhos, são os processos que importam. Contribuir para que as pessoas desenvolvam senso crítico e criativo parece ser o mais relevante.
¿Quiénes fueron tus maestros? ¿Podrías compartir alguna anécdota que sigue acompañándote en tu memoria a lo largo de tus diferentes procesos creativos?
Quem eram os seus professores? Pode partilhar uma anedota que continua a acompanhá-lo na sua memória ao longo dos seus diferentes processos criativos?
Contactei com artistas muito importantes da dança, sobretudo quando vivi nos EUA. Mas talvez se tiver que pensar em mestres, diria que aprendi muito com a história das artes e da dança, em particular. Como interpretei a história a par do que pude experimentar com os diversos professores, talvez seja o mais marcante. Sem saber de onde veio, talvez diria que a persistência, o não desistir, o olhar para um problema e perceber o seu desafio criativo, é talvez o que está sempre presente nos meus processos criativos.
Cuando te enfrentas a un nuevo proceso creativo, ¿Tienes algo que se repita una y otra vez en cada uno de ellos o varían mucho uno del otro?
Quando confrontados com um novo processo criativo, tem algo que se repete vezes sem conta em cada um deles ou que variam muito uns dos outros?
Tento desafiar-me nos processos criativos de forma a evitar repetição de métodos, mas não totalmente. Há métodos que fui desenvolvendo e aprofundando que me têm acompanhado nos diversos desafios criativos. Esses métodos relacionam-se com conciliar valores estéticos com éticos e conciliar a exploração criativa com memória e arquivo.
¿Qué es lo que crees que le aporta la danza contemporánea más allá de la propia “danza” a un actor, director, en definitiva, un creador? ¿Es la danza una herramienta para los “no bailarines y bailarinas profesionales”?
O que acha que a dança contemporânea traz para além da “dança” em si a um ator, realizador, em suma, um criador? A dança é uma ferramenta para “bailarinos não profissionais”?
É uma boa questão. O que pode um corpo? O que pode a dança perante o mundo? Sabemos que desde logo, por se tratar de um corpo como matéria primordial da arte da dança, é já posicionamento político. Mas a dança também se projeta, constrói sentido e fenomenologicamente desafia o nosso entendimento. Ao contrário do cinema documental, por exemplo, onde podemos colher as imagens em estado de emergência, mesmo que colhidas através de um olhar subjetivo, a dança é sempre mediação em relação ao mundo que se reporta. Como alguém dizia: a arte devolve humanidade. A dança tem também esse papel e fá-lo de forma indireta, desestabilizando hábitos e propondo novas formas de olhar o corpo no mundo.
¿Cómo fue tu experiencia en el año 1999 en el Laboratorio TNT cuando te encontraste con ese de jóvenes en proceso de formación? Habías participado años antes en la ISTA en Portugal, ¿Qué enseñanza o recuerdo guardas de aquel encuentro?
Como foi a sua experiência em 1999 no Laboratório TNT quando conheceu a dos jovens em formação? Já tinha participado anos antes no ISTA em Portugal, que ensino ou memória escondem desse encontro?
Lembro-me muito bem do encontro com o TNT em Sevilha. Gostei muito desse trabalho com os atores. Lembro-me perfeitamente de ter preparado uma série de exercícios e de alguns dos alunos terem questionado, de não aceitarem a proposta sem senso crítico. Apreciei essa atitude. Eu estava segura do que lhes estava a propor, um jogo onde o corpo que se abstrai para conquistar novas esferas de sentido, mas, por vezes, esse trabalho coloca algumas resistências. Desmontar o gesto, torná-lo matéria para depois recuperá-lo e recompô-lo, é um exercício importante e difícil também. De qualquer forma, a minha sensação é que estava perante um grupo muito interessante e inteligente e isso é muito desafiante. Fiquei com uma bela recordação!